Tetra Pak para casas de madeira

Para quem ainda não sabe, Curitiba é muito conhecida por ser a capital mais fria do Brasil. O motivo de orgulho de uns pode ser o sofrimento de outros. O vento, as chuvas e a umidade fazem com que aqueles que vivem em comunidades carentes e áreas de invasão sofram as consequências.

Como forma de olhar para uma parte menosprezada da população, que não tem acesso à qualidade de vida, o projeto Brasil Sem Frestas ajuda a aquecer casas de madeira de condições precárias (que, como diz o nome, possuem grandes aberturas na parede entre uma tábua e outra) forrando-as com caixas de leite e sucos, que recebem de doações e que se tornam isolantes térmicos. Ou seja, no inverno mantém a residência aquecida e no verão também refresca.

A embalagem longa vida, também chamada de cartonada, possui várias camadas. Na de leite, por exemplo, são seis. Essas bases passam por um processo de compressão sobre todas as folhas dos diferentes elementos. A composição é, basicamente: 75% papel cartão – 2 papéis unidos sem cola, que oferecem suporte mecânico e resistência à embalagem; 20% de filmes de polietileno (PEBD), que impedem a umidade e o contato direto do alimento com o alumínio, além de evitar o vazamento e 5% alumínio, que é barreira à entrada de luz e oxigênio. Devido às características mencionadas acima e por ser compacta, é ótima solução para ajudar famílias a se aquecerem dentro de casa.

Funciona assim:

Com as caixas já lavadas, o primeiro passo é abri-las totalmente, ou seja, as quatro abas devem ser recortadas na parte inferior, superior e na emenda que há na parte de trás. Elas são costuradas umas às outras virando uma placa e depois grampeadas nas paredes de madeira. É importante que todas estejam no mesmo sentido para que a água da chuva possa correr e não danificar o papelão das embalagens.

Brasil Sem Frestas

O projeto chegou a Curitiba há mais ou menos um ano e meio, conta Tânia Maria Machado Ribas, coordenadora do Brasil Sem Frestas na capital, que se dedica integralmente a melhorar as condições de vida dessas famílias: “ele nasceu em Passo Fundo – RS, em 2009, com a Maria Luisa Camozzato. Por aqui o passo inicial foi dado pela Lisandra e mais tarde eu assumi”.

Tânia explica que é preciso focar nesse público, uma vez que não são muitos os trabalhos voltados a eles. “Já vimos muita coisa triste. Nossa intenção é mudar um pouco a qualidade de vida dessas famílias que vivem em regiões precárias até que consigam condição melhor. O propósito das placas térmicas é justamente esse, o de levar conforto onde as pessoas têm menos recursos.”

Os moradores que precisam desse auxílio em suas casas chegam até o projeto por indicação. Isto é, alguém que já tem acesso à comunidade informa a equipe e eles vão até o local. Quando o grupo chega é possível fazer um levantamento de outras moradias que também necessitam do recurso. Esse trabalho acontece uma vez por semana e um sábado por mês. “Até hoje contemplamos 35 casas. Entre nossas maiores dificuldades está a indicação de propriedades, porque é muito difícil que alguém aceite participar do projeto sem ter visto um imóvel pronto. Vale lembrar que não beneficiamos construções que não tenham frestas, que busquem melhoria simplesmente pela estética. Recentemente montamos até uma lista de espera”.

A sede fica no bairro Tingui, mais especificamente na garagem de Tânia. É lá que a equipe de 26 voluntários armazena as caixinhas, fazem a separação, a limpeza, os recortes e as placas.

A arrecadação de embalagens cartonadas chega a duas mil que somam três toneladas. Dessas, uma tonelada e meia por mês é só em repasse do reciclável que não pode ser utilizado. Além de entregar pessoalmente também é possível deixar o material em um dos seis postos de coleta que ficam em bairros como Santa Felicidade, Santa Cândida e Bairro Alto.

“Temos também um grupo grande no WhatsApp que nos ajuda de alguma forma. Para ser voluntário é só falar comigo que explico tudo, sem burocracia. As doações também são bem recebidas. Dificilmente recebemos ajuda de empresas privadas ou de poder público. Aceitamos grampos, fios para costura e nylon.

Recentemente construímos um galpão aqui em casa para armazenar os materiais e agora queremos investir em uma Kombi para nos locomovermos melhor. Talvez também conseguir parceria com algum posto de combustível, pois gastamos em torno de R$ 50 por semana para irmos até as comunidades”.

Há ainda outras propostas paralelas que visam garantir recursos para dar continuidade ao Brasil Sem Frestas e arrecadar fundos para a compra de material para a construção das chapas. Entre elas ações de Natal, dia das crianças, além dos bazares que ocorrem umas quatro vezes ao ano e que são feitos inteiramente com as doações recebidas.

“Nossa intenção é mudar um pouco a qualidade de vida dessas famílias que vivem em regiões precárias até que consigam condição melhor.”
Tânia Maria Machado Ribas

SERVIÇO
Tânia Ribas
(41) 98449-5213
fb.com/Brasil-sem-Frestas-Curitiba-278290059220085/

* Foto de capa | Crédito: 123RF

2 comentários sobre “Tetra Pak para casas de madeira

    1. É mesmo Edna <3
      A Galvão Locações também apoia todas as iniciativas que contribuem para uma sociedade melhor e por isso abre espaço para projetos maravilhosos como esse!

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