A magia do shaper

Com o verão chegando, a Viva Melhor te apresenta o elo responsável entre o praticante de surf e o oceano. O shaper, como é conhecido, trabalha o ano inteiro para fazer a alegria desses atletas acontecer. Afinal, o que seriam dos surfistas sem as pranchas?

Presentes tanto em momentos de relaxamento quanto nos de adrenalina, as pranchas de surf são incríveis: flutuam, deslizam e tentam acompanhar de forma harmoniosa a movimentação das ondas enquanto proporcionam uma visão única da natureza. Desde as de madeira artesanal até as de materiais inovadores, elas auxiliam no desempenho dos atletas permitindo manobras arriscadas e performances cada vez mais elaboradas, é evidente que o surf vem evoluindo e que muita coisa mudou.

Mas será possível viver de surf? Atualmente, o Brasil é uma das maiores potências do esporte ao lado dos os Estados Unidos e Austrália. Quando o surfista Gabriel Medina ficou conhecido por ser o primeiro campeão mundial brasileiro, em 2014, o mercado brasileiro deu um upgrade. As pessoas passaram se interessar pelo esporte e a consumirem produtos voltados a ele. A TV, a internet e as mídias sociais começaram a divulgar o trabalho das marcas e shapers através dos atletas, entre eles o já citado Medina, Filipe Toledo e todos os brasileiros que estão no circuito WSL (World Surf League ou Liga Mundial de Surfe).

Ou seja, com essa mudança de conceito já é possível manter-se do esporte no país. No Paraná a profissão está sendo um pouco mais reconhecida, mas ainda se encontra na retaguarda de outros estados que vivem do esporte.

Exemplo de receptividade é a Felipe Correa Surfboards, marca de pranchas fundada há três anos em Guaratuba – PR pelo shaper e, claro, surfista, Felipe Augusto Corrêa. “Foi meu amor pelo esporte que me levou a fazer disso uma profissão. Mexer com algo que estivesse ligado ao surf sempre foi meu sonho, pratico o esporte há muitos anos e as pranchas acabaram virando minha paixão. Minha namorada, Cassiana Mallmann, também é responsável pela criação da marca, pois sempre me incentivou e me auxilia na parte administrativa”.

Ele tinha uma ideia na cabeça: desenvolver pranchas melhores para uso próprio. Como já possuía experiência de trabalho em outras oficinas, foi em busca de estudo e com observação se aprimorou no ofício. Assim, começou a produzir seus próprios modelos utilizando um software especializado, o Shaped 3D e partiu para a parte prática de testes e muita mão na massa. Hoje ele trabalha todos os dias em sua fábrica, uma vez que o ofício exige foco total e muita dedicação.

Entre blocos de poliuretano ou EPS, tecido de fibra, resinas especiais, pigmentos, lixas e as ferramentas, Felipe explica que o processo começa no desenvolvimento do design da prancha. A usinagem do bloco escolhido é feita em uma máquina CNC. Ele faz o acabamento do shape na mão e parte para a laminação da prancha e seu o acabamento nas lixas. A tecnologia é indispensável na parte do shape (formato) da prancha enquanto a laminação e a lixação final são todas manuais.

De acordo com o shaper a tecnologia tornou-se uma aliada trazendo facilidades e auxiliando na produção. Os softwares servem para desenvolver o tamanho, as medidas e as máquinas de usinagem (CNC) fazem a prancha chegar quase na perfeição do formato, facilitando muito para o profissional que precisa fazer apenas um acabamento antes da laminação.

As pranchas 5’0 a 6’5’’ podem variar de R$ 1.300 a 1.700, dependendo do material e da tecnologia empregada. “O surf não é caro para iniciantes, mas é necessário paciência para encontrar a prancha mágica. O ideal é procurar um shaper que indique o melhor equipamento e medidas para seu tamanho, peso e habilidades. Há também alguns cuidados como usar materiais importados de melhor qualidade, evitar exposição da prancha diretamente ao sol, lavar com água doce após sair do mar, guardar em um local apropriado e evitar quedas”, aconselha Felipe.

Dono de um estilo próprio, voltado a pranchas performance – encarregadas de alto desempenho, mais rápidas e focadas para competições – Felipe admira os trabalhos de shapers como Henry Lelot do Rio de Janeiro, Arenque em Santa Catarina e no Paraná do Thiago TBS. Já entre os atletas ele cita Gabriel Medina, Mark Occhilupo e o falecido Andy Irons. “Me inspiro nas pranchas que estão em evidência no mercado internacional sendo usadas pelos tops do circuito, nas novas tecnologias, materiais, modelos e no que está funcionando bem. Não adianta, um bom profissional tem que estar por dentro do mercado”.

Para Felipe entres os maiores desafios da carreira está a concorrência desleal, uma vez que é preciso competir com os preços baixos dos produtos de alguns profissionais que não valorizam o próprio trabalho e nem a qualidade do material. Há ainda a falta de valorização dos shapers locais, pois muitas pessoas querem comprar marcas e não dão espaço para conhecer os novos profissionais do seu próprio estado.

Felipe explica que desde o início quis levar a sério a profissão e ser reconhecido como uma marca de surf. Atualmente especializado em pranchas, futuramente quer desenvolver uma linha de acessórios. Entre os objetivos também está à evolução com pranchas cada vez melhores, mais leves, a acessibilidade a novos surfistas e o reconhecimento em todo o país.

“Estamos investindo em propaganda fora do Paraná, em sites especializados e lançando um site próprio com os modelos de pranchas da marca. Tenho um parceiro no Rio de Janeiro, responsável pela marca, o shaper licenciado Pedro Salgado. Também temos alguns atletas que recebem o apoio da Felipe Correa Surfboards, entre eles o veterano e campeão do surf paranaense Marcelo Saporski, a revelação infantil Lukas Camargo, o free surfer Bruno Odevagen e o profissional Gege da Silva”, finaliza o profissional.

Serviço
R. Barão do Cerro Azul, 1847
Guaratuba – PR
(41) 3472-1270 | (41) 99272-4875
felipecorreasurfboards.com.br
fb.com/FCshaper
instagram.com/fc_shaper

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