Consumo compartilhado no guarda-roupa

Na maioria das vezes nós compramos coisas que não sabemos ao certo com que frequência iremos usar. A boa notícia é que o mundo continua se adaptando e agora o consumo consciente chega à moda. Aproveitando essa onda positiva, alguns negócios começam a surgir e conquistam muitos clientes.

 

Estamos começando a repensar nossos hábitos, e na fase em que estamos vivendo — de preocupações ambientais, relação saudável com o consumo e recessão global — algumas coisas são reaproveitadas enquanto outras são úteis o tempo todo, isso em diversos segmentos. Os itens de vestuário também não poderiam ficar de fora.

A inglesa Kate Fletcher, consultora e professora de design sustentável do Centre for Sustainable Fashion, começou um movimento intitulado slow fashion. Ele incentiva um estilo de vida minimalista, com mais consciência dos produtos consumidos, uma conexão maior com a forma como são produzidos e também a valorização de produtores locais. Mais do que uma tendência, é um modo de pensar e agir buscando uma moda pautada na justiça econômica e social, sempre priorizando a ética.

Sem contar que nos últimos anos o movimento vem mostrando que a sustentabilidade está ao alcance de todos e pode sim estar associada à tendências e designs diferenciados.

Nascida no exterior — EUA, Reino Unido Amsterdã, Paris e Barcelonar — há alguns anos, também temos a economia colaborativa ou economia compartilhada. Ela foi lançada pelas gerações Y e Z, devido à influência das tecnologias digitais em tempo real que impulsionaram as mudanças culturais e a forma como nos comportamos.

Por aqui, a atual situação do Brasil foi um dos empurrõezinhos. As pessoas ficaram mais conscientes dos seus gastos e tentaram economizar ao máximo. Grandes centros urbanos como São Paulo já estão adotando essa prática.

Quando há, por exemplo, eventos como casamentos e formaturas, é muito comum algumas mulheres alugarem vestidos por ser mais barato do que comprar, de fácil acesso e ter a mesma qualidade. Aproveitando a oportunidade, é assim que funcionam os novos negócios. A novidade fica por conta da locação de roupas do dia a dia, sejam aquelas para trabalhar ou para passear.

Os serviços de aluguel de roupas permitem que a cliente troque de visual constantemente, sem precisar comprar nada e renovando assim o guarda-roupa. Tudo isso com ampla variedade de itens que são tendências na moda em diversos estilos e tamanhos.

Essas empresas permitem que usuários emprestem itens por um determinado período, por preço de custo e, lógico, é muito mais consciente e menos consumista, fugindo da máxima de style “quanto mais melhor”.

O novo nicho

Desde o início, o objetivo da Muda de Roupa era fazer um negócio que levantasse a bandeira do consumo consciente de moda, divulgando o slow fashion e a sustentabilidade. Além disso, quer dar a oportunidade para a cliente explorar e conhecer novas composições e formatos que ela normalmente não teria a iniciativa de comprar, mas que depois de receber em casa passe a olhar com mais atenção.

A empresa lançou um site há pouco mais de uma semana, oferecendo assinatura mensal de aluguel de roupas de todos os tamanhos para o público feminino de Curitiba e região.

A Muda de Roupa foi fundada por três jornalistas que tiveram a oportunidade de estudar juntos na faculdade. Daniela Hendler – sócia proprietária e responsável pela comunicação, Guilherme Zuchetti – sócio e responsável administrativo e financeiro, e Rafaela Gabardo – sócia proprietária e responsável pela consultoria de estilo e compras. Juntos eles pretendem revolucionar a indústria de vestuário.

A empresa surgiu quando a Rafaela fez uma limpa no guarda-roupa e percebeu que comprava de forma desenfreada e sem necessidade. Por sempre gostar de moda, ela decidiu que trabalharia profissionalmente na área e entrou em contato com Daniela. Com a ideia do projeto mais ou menos estruturada, elas entraram em contato com o Guilherme, que agregou as ideias desse formato de consumo.

Funciona assim: você entra no site, responde um questionário, contrata o pacote casual, paga uma mensalidade fixa e justa — que a princípio terá o custo de R$89 —, recebe em casa cinco peças lavadinhas e tem um período de 25 a 30 dias pra usar.

Como dito anteriormente, quando a cliente assina o plano ela responde um questionário de análise de estilo.

Ele é extenso e inclui perguntas sobre o dia a dia, preferências de peças, cores, medidas, onde elas serão usadas, entre outras. “Optamos por algo extremamente detalhado para que fique bem ao gosto da pessoa. A partir de então, selecionamos as peças que mais se adéquam ao seu perfil”, esclarece Daniela.

A empresa se responsabiliza pela entrega e por buscar as peças de roupa, basta que a pessoa informe o endereço. Ao renovar a assinatura ela já recebe novidades. Inicialmente são mais de 200 peças em estoque e todas de ótima qualidade. “Muitas são de brechós selecionados daqui de Curitiba e São Paulo, mas em ótimo estado e de boas marcas. Também compramos uma parte por atacado”, conta Daniela.

As roupas serão enviadas dentro de ecobags personalizadas, então, a única exigência é devolver as roupas da mesma forma que receberam: dentro das ecobags. “Há também uma multa caso a cliente danifique a peça ou caso a empresa vá entregar/buscar na data previamente agendada e a cliente esqueça de deixá-las disponíveis.”, explica Daniela.

Caso haja a necessidade de trocar uma peça, é preciso informar o motivo para que a Muda de Roupa tenha um controle melhor sobre o gosto de suas clientes e suas roupas. “Quando houver casos como esse, avaliaremos a possibilidade de enviar no mês seguinte uma peça de roupa a mais, a fim de compensar aquela que não agradou no mês anterior”, afirma Daniela.

No início, eles atenderão um número limitado de 50 clientes, assim poderão oferecer a melhor experiência e dedicar atenção a todas. A cada mês irão aumentar o número de clientes, conforme o crescimento da empresa e demanda.

E você, alugaria uma roupa para passear por aí?

SERVIÇO:
Muda de Roupa
(41) 3085-4807
www.mudaderoupa.com/
falecom@mudaderoupa.com
www.facebook.com/clubemudaderoupa/

Foto de capa | Crédito: Acervo Muda de Roupa

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