Desmistificando a doação de medula óssea

Antes de ter medo da doação de medula óssea, é preciso lembrar que com um pequeno gesto você pode mudar a vida de uma pessoa. O primeiro passo é simples e assemelha-se à doação de sangue. Procure o hemocentro mais próximo de sua residência para a realização do cadastro – que consiste na retirada de uma amostra de 10 ml de sangue para a tipagem das características genéticas. Pronto, a partir desse momento seus dados serão inseridos no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) e você já pode se considerar um iminente doador.

Inspirada pelo caso do pequeno Enzo, menino de 3 anos que faleceu em Curitiba à espera de uma medula compatível (confira sua história abaixo), a Viva Melhor procurou o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) para desmistificar uma série de falsos saberes em torno da doação de medula que, sem dúvida, prejudicam a busca por novos doadores. Além disso, procurou estimular ainda mais “esse ato de amor ao próximo”, conforme definiu o diretor do Centro, Paulo Hatschbach, à Viva Melhor.

Paulo Hatschbach. Foto: Hemepar

Segundo ele, que trabalha há 24 anos no Hemepar, o maior mito que se tem em torno da doação de medula está relacionado à dor e ao medo da agulha durante a punção. Além disso, continua Hatschbach, alguns têm receio da anestesia geral.

“O procedimento é completamente seguro e o incômodo causado pela agulha é ínfimo diante do ato em favor da vida do próximo que se está fazendo”, salienta.

Para o diretor do Hemepar há ainda muito desconhecimento por parte das pessoas em torno da doação de medula. 

“Para se ter uma ideia, muitos acreditam que já estão doando ao retirar a pequena quantidade de sangue para o cadastro, quando, conforme já comentamos, a amostra serve apenas para a realização do mapa genético a ser enviado ao banco do REDOME”, informa.

O diretor do Hemepar afirma que a probabilidade de encontrar um doador compatível é de uma para cada 100 mil pessoas. “No Brasil há, aproximadamente, 3,2 milhões de doadores cadastrados, sendo o 3º país com mais doadores, ficando atrás apenas dos  Estados Unidos (1º) e da Alemanha (2º)”, informa. Entre os Estados brasileiros, continua ele, o Paraná está entre os que mais se destacam quando o assunto refere-se ao número de doadores. “Temos aproximadamente 600 mil cadastrados. Ao ano, são feitos 32 mil cadastros, sendo em média 2,7 mil ao mês”, diz. Só a unidade de Curitiba realiza cerca de 450 coletas ao mês.

“Doar é um ato humanitário em favor da vida. É fazer o bem, sem saber a quem. Lembrem-se que muitos estão sofrendo à espera de um ato de amor.”
Diretor do Hemepar, Paulo Hatschbach.

DOAÇÃO DE MEDULA ÓSSEA NA PRÁTICA

Para se cadastrar é simples: basta querer, ter idade entre 18 e 55 anos e boas condições de saúde.

Após a realização do cadastro no REDOME e confirmada a compatibilidade, é feito o contato com o doador – que pode ter até 60 anos, desde que tenha se cadastrado até os 55 anos – para saber de sua intenção quanto à doação e para efetuar uma série de outros exames médicos. 

“Por isso é que frisamos a importância do doador manter seus dados cadastrados no REDOME atualizados, pois caso seja encontrado um doador compatível o contato é feito mediante as informações ali inseridas”, salienta.

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CASO ENZO GANHOU AS REDES SOCIAIS E MOBILIZOU MUITA GENTE

Enzo Day. Foto: Divulgação

O pequeno Enzo, de três anos de idade, de Itapecerica da Serra, portador de Anemia de Fanconi, morreu no dia 14 de fevereiro em Curitiba. O garotinho, que já havia passado por dois transplantes de medula, faleceu à espera de um terceiro procedimento. Ele, que estava internado no Pequeno Príncipe em Curitiba, teve seu caso repercutido nas redes sociais depois que a prefeitura de Curitiba lançou uma campanha para a obtenção de doadores. Além da prefeitura, uma série de outros grupos foram criados em homenagem ao “Iron Man” – super-herói favorito do menino.

A campanha, batizada de “Enzo Day”, foi um sucesso. Realizada no dia 22 de fevereiro no Hemepar, obteve a quantia recorde de 315 pessoas cadastradas. A meta mensal do Centro é de 450 doadores. Na opinião do diretor do Hemepar, Paulo Hatschbach, as redes sociais têm assumido um fundamental papel quando se trata de ações sociais. “Seu poder de sensibilização é muito grande e, sem dúvida, ainda estamos colhendo bons frutos do caso Enzo”, pondera.

 

O QUE É A MEDULA ÓSSEA?

Em poucas palavras, a medula óssea é o tecido gelatinoso encontrado no interior dos ossos, popularmente chamada de tutano. O transplante de medula óssea é um tipo de tratamento proposto para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia aguda, leucemia mielóide crônica, leucemia mielomonocítica crônica, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, síndrome mielodisplásica hipocelular, imunodeficiência combinada severa, osteopetrose, mielofibrose primária em fase evolutiva, síndrome mielodisplásica em transformação, talassemia major, etc. O procedimento consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais, com o objetivo de reconstituição de uma medula saudável.

 

REDOME

Criado em 1993, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) foi instalado em 1998 junto ao Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Seu objetivo é encontrar um doador compatível entre os grupos étnicos semelhantes que compõem o Brasil. Nele constam informações como o nome, o endereço, os resultados de exames e as características genéticas do possível doador. O Redome é consultado quando nem familiares e nem amigos podem ser os doadores em virtude da incompatibilidade genética.

 

SOLIDARIEDADE É ALGO QUE ESTÁ NO SANGUE

O diretor do Hemepar, Paulo Hatschbach, faz um apelo também para a doação de sangue, que sempre diminui com a chegada do inverno. “Salientamos não apenas a importância da doação de medula, mas também a de sangue uma vez que quem recebe a medula também precisa de transfusão de sangue”, comenta. Doe pelo menos duas vezes ao ano! O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) é uma unidade da Secretaria de Estado de Saúde. É responsável pela coleta, armazenamento, processamento, transfusão e distribuição de sangue para 384 hospitais públicos, privados e filantrópicos que atuam em todas as regiões do Paraná.

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